“Vistos gold não são responsáveis pelo aumento dos preços das casas”

* Texto publicado originalmente no site Idealista

Aniceto Viegas, diretor-geral da promotora imobiliária Avenue, em entrevista ao idealista/news

Ponto final na atribuição de Autorizações de Residência para Atividade de Investimento (ARI) – os chamados vistos gold – a estrangeiros que invistam em imobiliário em Lisboa e Porto, através da compra de casas que custem pelo menos 500.000 euros, como medida de combate à crise habitacional que se vive nestas duas grandes cidades portuguesas. O tema tem gerado polémica, mas não é o que está influenciar a subida dos preços das casas, defende ao idealista/news Aniceto Viegas, diretor-geral da promotora imobiliária Avenue.

“O Golden Visa não deve ser diabolizado, não é responsável pelo aumento dos preços. O aumento dos preços é a valorização do nosso património. E temos de ter orgulho em ter um património finalmente valorizado. Não nos podemos queixar porque o nosso imobiliário de repente vale tanto como o de outras cidades. Vale porque merece valer, porque nós temos qualidade, temos localização, temos património, temos arquitetura. E é isso que devemos defender como um grande argumento”, refere Aniceto Viegas, acrescentando que Portugal entrou “num campeonato que é chamado a Primeira Liga”. “E esta Primeira Liga tem uma consequência, que é uma valorização mais adequada do que é o seu ativo, e não desvalorizá-lo, como fizemos durante muitos anos”.

Segundo o responsável, o país precisa de “estabilidade”, nomeadamente em termos fiscais e legislativos, algo que considera que haverá “nos próximos anos”. Deixa, no entanto, um alerta: “Introduzir elementos que perturbem a imagem de estabilidade que um país possa ter são negativos. Estabilidade é fundamental, e quando se fala de Golden Visa em janeiro a dizer que em fevereiro não haverá mais, em Lisboa e Porto, não é muito justo, porque quem investe em imobiliário planeia toda a sua atividade a três ou cinco anos. Que se diga em janeiro que daqui três, quatro ou cinco anos se pondera rever o regime é avisar o mercado que isso pode mudar”.

“(…) Quando se fala de Golden Visa em janeiro a dizer que em fevereiro não haverá mais, em Lisboa e Porto, não é muito justo, porque quem investe em imobiliário planeia toda a sua atividade a três ou cinco anos”

Sobre os preços das casas estarem a subir, apesar de se assistir, ao que tudo indica, a um abrandamento nos aumentos, o diretor-geral da Avenue considera que tem de haver “uma preocupação social” e que é preciso aumentar a oferta para a classe média nacional.

“É a lei da oferta e da procura. Se quisermos ter oferta para a classe média temos de poder rapidamente licenciar projetos para a classe média. Temos também de ter uma componente fiscal mais incentivadora. Cerca de 35% a 40% do custo final são impostos e taxas, e isso reflete-se no preço do consumidor. E obviamente o papel do Estado [é importante]. É um papel que Lisboa e Porto neste momento estão a ter: é recuperar o seu património, valorizá-lo, transformá-lo e colocá-lo no mercado ou para venda ou para arrendamento”, conclui.