Veja como vai ficar o Terreiro do Paço depois da reabilitação da frente ribeirinha

* Texto publicado originalmente no site Visão

A reformulação da zona vai custar 27 milhões e deverá estar concluída no final do próximo ano. E com isto Lisboa reconquista o Tejo

Lisboa tem uma frente ribeirinha de quase 30 km, mas durante décadas uma boa parte deste autêntico quadro natural esteve literalmente bloqueado às pessoas. Um cenário que tem vindo a mudar nos anos mais recentes e que assim vai continuar.

Hoje, a autarquia e a Associação Turismo de Lisboa juntaram-se para anunciar mais uma operação de valorização, a “maior” das últimas décadas com a reabilitação da frente ribeirinha central, desde o Terreiro do Paço à Doca da Marinha, baptizado como o Novo Cais de Lisboa. Uma obra que vai custar €27 milhões (€16 milhões dos quais provenientes das taxas turísticas) e que está projetada para terminar no final do próximo ano.

O projeto de renovação integra vários projetos, todos eles interligados, nomeadamente a reconstrução do Muro das Namoradeiras, a retirada do aterro do Cais das Colunas, a reabilitação da Estação Sul e Sueste e da Doca da Marinha, a criação do Bacalhau Story Centre, do Centro Tejo e de um Cais de Apoio à Atividade Náutica, bem como o reforço de Pontões.

“O Novo Cais de Lisboa devolve o rio aos lisboetas e disponibiliza-o, em todo o seu esplendor, aos visitantes nacionais e estrangeiros que acolhemos todos os anos. Esta obra é, sem dúvida, um passo importante na valorização da cidade e na capacidade de inovação e diferenciação da sua oferta.”, fez questão de sublinhar Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa.

A reabilitação é da responsabilidade da Associação Turismo de Lisboa (ATL), por incumbência da Câmara Municipal de Lisboa.

O QUE VAI MUDAR
Várias obras irão decorrer em simultâneo e algumas já arrancaram. Assim, o Muro das Namoradeiras já está a ser reconstruído, de forma a repor o muro original e o seu complemento até à Ribeira das Naus. Os postes de iluminação originais estão a ser alvo de reabilitação e vão ser repostos, para preservar a silhueta original deste património simbólico da cidade, detalha o comunicado da ATL. O projeto é do arquiteto Bruno Soares.

Por sua vez, o aterro entre o Cais das Colunas e a Praça da Estação, realizado há mais de duas décadas, aquando da construção do túnel e da estação do Metropolitano, será finalmente retirado. A praça vai recuperar o traçado original e o Cais das Colunas o relacionamento pleno com o Tejo.

Na Ala Nascente do Terreiro do Paço, vai nascer o Bacalhau Story Centre, para homenagear este “símbolo da gastronomia, da cultura e da história de um país”. “Um espaço para lembrar as gerações de marinheiros e pescadores, e explicar a maneira de ser de um povo sempre pronto a oferecer o que tem e ir até ao fim do mundo trazer o que lhe falta”, refere-se ainda no comunicado. O projeto é de Álvaro Garrido, do NewsMuseum e do arquiteto Tiago Silva Dias.

Faz também parte do projeto a reabilitação da Estação Sul e Sueste que recupera o traço original de 1929, da autoria de Cottinelli Telmo, e se transforma no coração da atividade marítimo-turística do Tejo. Aí vai também nascer uma nova área com cafetaria, quiosque, restaurante e esplanadas, um posto de informação, uma “Lisboa Shop” e o terminal de apoio aos passeios no Tejo, com a instalação de oito bilheteiras de diferentes operadores. O projeto é da arquiteta Ana Costa.

Integrados no projeto de reabilitação ribeirinha, os dois pontões da Transtejo/Soflusa serão reforçados e, no quadro da reabilitação da Estação Sul e Sueste, serão instalados três novos pontões com passadiços. A missão destas novas estruturas é acolher as embarcações dos diversos operadores turísticos, num sistema de slots por toque que possibilite uma atividade regular e eficaz e uma utilização partilhada.

No interior da Estação, vai nascer o Centro Tejo. Um espaço de promoção da oferta cultural e turística dos municípios ribeirinhos, para iniciativas de valorização do rio e consciencialização ambiental. O projeto é dos arquitetos Tiago Silva Dias e Pedro Mendes Leal.

Na praça, a intervenção urbanística vai permitir recuperar os espaços públicos junto ao rio e ligar os percursos pedonais e cicláveis ao longo da Frente Ribeirinha. O arquiteto Bruno Soares assina o projeto.

Entre a Estação Sul e Sueste e o novo Terminal de Cruzeiros, a Doca da Marinha vai dar lugar a um grande espaço arborizado, onde os peões e as vistas sobre a cidade e o rio recuperam prioridade face ao automóvel. Este é um projeto da autoria do arquiteto João Luís Carrilho da Graça.

Um novo restaurante e quatro novos quiosques, com esplanadas e WC públicos, vão pontuar o espaço público. Também aqui o autor dos projetos é o arquiteto João Luís Carrilho da Graça.

O investimento desta intervenção é garantido por verbas do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, completadas por verbas asseguradas pela Associação Turismo de Lisboa.