As melhores praias em Sintra

* Texto publicado originalmente no site TimeOut

Dê uma voltinha pelas melhores praias em Sintra, mesmo que o calor não aperte

Já se sabe que Sintra guarda os seus caprichos, portanto não estranhe se estiver um calor intenso em Lisboa e precisar de uma malha por estas bandas. É um clássico, na verdade. Nunca sabemos muito bem como estará o tempo em Sintra, mas seja qual for o cenário, os índices de beleza prometem compensar todos os banhistas sem excepção, tanto os que se aventuram nas águas frias como os que não arredam pé do conforto da esplanada. Adraga? Praia Grande? Parta connosco à descoberta das melhores praias em Sintra, que sempre foi o destino de eleição da realeza (os seus inúmeros palácios são prova disso e hoje em dia é local de romaria de turistas vindos de todo o mundo). O paraíso está à espreita nestes recantos feitos de areia e mar. Para além dos banhos de sol e sal, conte com excelentes condições para a prática de desportos náuticos, como o surf, enquanto as falésias proporcionam aos mais aventureiros excelentes rampas de salto para parapente.

Praia da Adraga

As rochas compõem o cenário em seu redor, com o apoio da praia junto a uma encosta escarpada, cortada em rochas calcárias de idade jurássica, mas fique tranquilo que a areia é fina. O resultado é um postal de encher o olho, claro está. Mas, como tudo o que é bom, dá trabalho. O acesso é bastante sinuoso e só se pode fazer de automóvel, através de uma estrada que desce entre montanhas. Depois lembre-se que o espera uma longa caminhada desde o parque de estacionamento (bastante frequentado, sobretudo aos fins-de-semana) até alcançar por fim a proximidade do mar. Quem gosta de andar à pesca, ficará contente por saber que há muitos peixes à procura de moluscos no lado esquerdo da praia. Se está mais interessado em fazer nudismo, nada tema: a prática é comum na zona norte. Mas a visita só ficará completa depois de admirar a Pedra de Alvidrar e as grutas.

COMO CHEGAR: A N247 vale por si só: uma estrada que serpenteia a Serra de Sintra, muitas vezes com vista para o mar. Uma vez na vila de Almoçageme, basta seguir as indicações para a praia da Adraga.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Parte do encanto do restaurante de peixe e marisco da Adraga reside na simplicidade e descontracção do sítio. Os últimos anos conheceram uma ou outra alteração decorativa, mas as toalhas de papel, as travessas de alumínio e outros detalhes que acusam tradição, mantiveram-se intactos. Afinal, o que importa é o peixe e o marisco frescos, algum apanhado ali perto, onde as águas são frias e agitadas, e grelhado por quem entende da matéria. Guarde espaço para as sobremesas, todas, sem excepção, exímias.

Praia da Ursa

Fica pertinho do Cabo da Roca, o célebre ponto mais ocidental da Europa, e a sua beleza é capaz de mobilizar até o coração mais rochoso. A descida até à praia, encosta abaixo, pode parecer não ter fim e até ser um pouco difícil, mas compensa pela beleza natural deslumbrante e selvagem. É até considerada por muitos uma das praias mais bonitas do país, fruto de milhões de anos de erosão provocada pela força do oceano Atlântico. Sem qualquer infraestrutura de apoio, é preciso ter cuidado, pois na maré alta fica com pouco espaço no areal. Já durante a maré baixa é possível explorar as enseadas da Palaia, a Sul, frequentadas por apanhadores de percebes; e o Pesqueiro do Abrigo, a Norte. Prepare-se para uma hora de caminhada (hora e meia para o regresso), equipando-se devidamente com um bom par de botas, comida e bebida.

COMO CHEGAR: Saia na última saída da A5 e siga as indicações para o Guincho, a Serra de Sintra e o Cabo da Roca. Depois de algumas curvas e contracurvas, estacione junto à placa que diz “Ursa”.

Praia de São Julião

Não se trata de uma sangrenta guerra civil que opõe Norte e Sul, mas esta praia a dez minutos da Ericeira é um curioso caso de duas jurisdições. O Rio Falcão divide-a em dois concelhos: metade do areal pertence à câmara de Mafra, a outra metade à de Sintra (até os sacos do lixo são diferentes). O destino é óptimo para caminhar na maré baixa e cada vez oferece mais estacionamento (há pelo menos dois gratuitos, um em cada lado). Mas atenção: o cenário é para duros. Não estranhe se encontrar frio e vento. Se calhar é por estar bastante exposta a ondulações que é muito frequentada por praticantes de surf e bodyboard, que dizem que o mar tem grande power. Mesmo que prefira ficar na toalha, vale a pena pelo extenso areal recortado por arribas e sempre pode ir beber um copo a um dos bares da praia.

COMO CHEGAR: Situada a sul da Ericeira, o acesso faz-se por Assafora, pela Estrada de São Julião.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Faça uma paragem em São João das Lampas, essa catedral do pão saloio. Mas, ainda perto da praia, não deixe também de apreciar as moradias com janelas de molduras azuladas e uma capela com campanário, onde se encontram painéis com alusões à vida de São Julião. Se lhe apetecer ficar uns dias por aí, sempre pode espreitar o terraço da Eco Soul Guesthouse, com uma vista magnífica sobre o oceano Atlântico.

Praia do Magoito

Se o bronzeado continua no topo das suas prioridades mal a Primavera dá um sinal de si, por mais tímido que seja, encaminhe-se para um terreno fértil em iodo. O Magoito, situada entre as praias de Gerebele e da Aguda, é um dos melhores spots para conseguir a tonalidade mais desejada. Mas, muita atenção, não se esqueça de tomar todos os cuidados para proteger a pele e de evitar as horas perigosas. De resto, só é difícil entrar na água: costuma estar fria. Compensa pelo areal extenso, com areias douradas e mar turquesa.

COMO CHEGAR: O acesso à praia foi reabilitado este ano. Para lá chegar a partir da Ericeira, deve virar na Terrugem em direcção ao Magoito.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Todos os anos, na Sexta-Feira Santa, a praia enche-se de dezenas de pessoas que se dedicam à apanha do mexilhão. Mas há uma atracção durante o ano inteiro: junto à rampa de acesso existe uma duna fóssil com dez mil anos, classificada como geomonumento. A chamada Duna Consolidada do Magoito é uma duna costeira formada pela acumulação de areia gerada pela acção conjugada do mar e do vento.

Praia de Azenhas do Mar

O efeito cascata, o casario empoleirado, a luz única. Não faltam argumentos para passar pelas Azenhas: tem de admitir, é um verdadeiro postal ilustrado. Antiga aldeia de pescadores, tornou-se nas últimas décadas um local de veraneio tranquilo e local de inspiração de muitos pintores como Júlio Pomar, Emílio da Paula Campos ou Milly Possoz. Surpreende pela geografia, com as casas a descerem pelo declive da arriba até ao mar e a baía rochosa com uma piscina marítima é sem dúvida uma atracção a não perder, apesar do areal não ultrapassar os 30 metros.

COMO CHEGAR: Depois de passar a Praia das Maçãs, deve seguir na estrada junto ao mar. Estacione junto ao miradouro e desça a escadaria.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Suspenso sobre a praia e a piscina das Azenhas do Mar, encontra o restaurante homónimo, sempre com peixe e marisco frescos. Se quiser uma experiência para duas pessoas, deve acautelar 60€. Mas vale cada cêntimo.

Praia das Maçãs

O nome deve-se ao facto de o rio que ali vai desaguar ter corrido, em tempos, entre pomares de macieiras, arrastando por vezes fruta madura que caía à água. Ponto histórico, já recebeu a nobreza de Sintra e é hoje uma praia de famílias no Verão, embora o melancólico encanto das cerradas neblinas e do mar bravo no Inverno seja um dos postais da região. O eléctrico costuma chegar repleto de turistas, curiosos com esta estância balnear já pintada a oléo sobre madeira por José Malhoa no seu quadro Praia das Maçãs, em 1918. Na verdade, são capazes de desconhecerem a curiosidade, mas não são alheios à fama, nem do passeio nem do local, com boas condições para a prática de surf.

COMO CHEGAR: Suba a Serra de Sintra e, depois de passar a aldeia de Colares, siga as indicações para a praia.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Se a praia lhe souber a pouco, conte com um extra: o complexo com duas piscinas de água salgada, um restaurante e um bar de apoio. Se quer entreter os gaiatos é uma boa opção, porque não faltam escorregas e uma zona de saltos.

Praia Pequena

Há nomes que enganam e este é um deles. A Praia Pequena, vizinha da Praia Grande, é menos pequena do que anuncia ao mundo. O melhor é que também é mais abrigada, sinónimo de mais valia quando o vento se intromete no seu dia de boa vida. Pescadores desportivos e fãs de desportos aquáticos chamam-lhe um figo. Mas atenção: acarreta risco de deslizamentos de terreno, devido às fracas características geotécnicas dos terrenos, compostos sobretudo por calcários margosos.

COMO CHEGAR: Suba a serra até Colares e siga as indicações para a Praia Grande. Quando chegar ao cruzamento onde pode escolher entre a Praia Grande e a Praia das Maçãs, vire para a esquerda. Se quiser ficar pela Praia Pequena, deve virar logo na primeira estrada à direita, onde está a indicação de Rua da Praia Pequena.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Ao longo da arriba existe um passeio de circulação pedonal, com três zonas de estadia e contemplação.

Praia Grande

Está longe de ser uma campeã em matéria de beleza (neste particular, praias como a Ursa, distinguidas entre as mais belas do continente levam a melhor), mas é um clássico e o adjectivo diz quase tudo – nem todas as idas à praia têm que implicar descidas de 100 degraus e belezas espampanantes. O final de Agosto coincide com a época mais forte na zona, mas ninguém o censurará se aparecer antes para uma almoçarada ou petisco no Bar do Fundo. De qualquer das formas, é uma das mais frequentadas da linha de Sintra, com um extenso areal, fósseis de pegadas de dinossauros nos imensos rochedos que rodeiam o local e uma agenda marcada por provas de campeonatos mundiais e europeus de surf e bodyboard.

COMO CHEGAR: Suba a serra até Colares e siga as indicações para a Praia Grande. Quando chegar ao cruzamento onde pode escolher entre a Praia Grande e a Praia das Maçãs, vire para a esquerda.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Até ao Verão de 2016 era um bar de praia que safava situações de fome inesperada, mas o Bar do Fundo está diferente e tem de petiscos a pratos pesados. Acompanhe com vinho a copo, sangria ou cocktails.

Praia da Samarra

Segredo bem escondido na costa de Sintra, situa-se numa enseada estreita virada a Noroeste, formada por uma acentuada reentrância na falésia. Depois de uma descida quase a pique, a deslumbrante beleza da Praia da Samarra não nos deixa retomar o fôlego. O areal é pequeno, mas o local é único, rodeado de arribas onde pode encontrar a planta silvestre cravo-romano, exclusiva da região. É um autêntico paraíso para os veraneantes mais solitários e para os amantes da natureza quase virgem, onde o barulho dos banhistas é substituído pelas ondas a bater nas rochas.

COMO CHEGAR: Parte do Parque Natural Sintra-Cascais, encontra-se a Norte, a menos de meia hora de carro da Ericeira. Se estiver em Lisboa, conduza até São João das Lampas, passe pelo Parque Multiusos, onde pode parar para um piquenique, e siga caminho até chegar à Estrada da Samarra. Não há muito que enganar: peça ajuda ao GPS.

JÁ QUE AQUI ESTÁ: Para além da beleza e do silêncio, esta praia pitoresca no planalto saloio de São João das Lampas esconde outros segredos, como o facto de há perto de quatro mil anos ter existido, no topo sul da Samarra, o Povoado de Pedranta; e que, no lado oposto, foi encontrada uma jazida com ossos de uma centena de indivíduos.

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