Alojamento local em Lisboa pode receber 102 mil pessoas

* Texto publicado originalmente no site STF

Comparando com os hotéis, alojamento local na capital já tem o dobro da capacidade para receber turistas.

As casas ocupadas pelo alojamento local que existem no concelho de Lisboa, onde residem cerca de 500 mil habitantes, têm capacidade para alojar 102 mil pessoas.

O diagnóstico é feito no estudo de impacto ambiental apresentado pela Câmara Municipal de Lisboa para alterar o loteamento da Avenida das Forças Armadas e da Praça de Entrecampos.

O documento consultado pela TSF revela que em março de 2019 existiam no concelho de Lisboa 18 mil alojamentos locais, num crescimento de cerca de 80% em 2018, mantendo-se a tendência de crescimento acelerado dos anos anteriores.

Dos 18 mil alojamentos locais, 90% são apartamentos para arrendamento de curta duração (nomeadamente através do Airbnb), com 9% a serem hospedagens ou hostels.

Alojamento local ganha aos hotéis

O alojamento local na capital tem capacidade para receber 102 mil pessoas (mais de dois terços da oferta total da Área Metropolitana de Lisboa), enquanto que os outros empreendimentos para receber turistas (como os hotéis) têm capacidade para menos de 50 mil pessoas.

Falando em “massificação do alojamento local em Lisboa”, o estudo revela ainda que os mais de 16 mil alojamentos do tipo familiar colocados no mercado de arrendamento de curto prazo entre 2011 e 2018 correspondem a 5% do stock de alojamentos familiares clássicos do concelho.

Mais turistas e a passarem mais tempo em Lisboa

Os dados apresentados revelam, como já se sabia, que Lisboa tem perdido habitantes (desde 2001) e que a procura turística aumenta há vários anos seguidos, dando-lhe números concretos.

Em 2011 a cidade recebia, por ano, 2,9 milhões de hóspedes, número que quase duplicou para 5,2 milhões em 2017 (+83%), ou seja, um quarto daquilo que todo o país recebe.

Por outro lado, as dormidas, na capital, crescem a uma velocidade mais rápida – cada turista está, na prática, em média, a passar mais tempo em Lisboa que no passado.

476 casas de renda acessível e 143 apartamentos turísticos

As mudanças agora em consulta pública para o loteamento da Avenida das Forças Armadas e da Praça de Entrecampos converterão dois lotes hoje destinados a escritórios para habitação de arrendamento acessível (476 casas novas).

Um terceiro lote, de propriedade privada, até aqui destinado a serviços, mudará para turismo, prevendo-se a construção de 143 apartamentos turísticos de tipologia T0 e T1 com a categoria de 4 estrelas.

O estudo de impacto ambiental em consulta pública conclui que a proposta de loteamento da autarquia vai melhor o cenário negativo do mercado de arrendamento, numa “oportunidade de desenvolvido social e urbano” para Lisboa.

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