Segundo as explicações do relatório, essa queda deveu-se em grande parte à valorização do dólar americano frente a muitas outras moedas, enquanto a desvalorização de vários ativos financeiros também contribuiu. Pelo contrário, a resiliência do setor imobiliário, apesar da subida a inflação e das taxas de juro, contribuiu favoravelmente para os rendimentos em países com maior percentagem de proprietários, como acontece com Portugal.
Aliás, o relatório aponta mesmo Portugal como o quinto país em que o preço das casas mais subiu, atrás de Turquia, Rússia, Hungria e Israel.
Apesar disso, cerca de dois terços dos adultos portugueses tem um património inferior a 100 mil dólares (94 mil euros) e só cerca de 2% têm então um património superior a 1 milhão de dólares, o que é um valor inferior aos 2,8% da média europeia.
Quase 1,9 milhões de portugueses não têm sequer património superior a 10 mil dólares. O patamar de património avaliado entre os 10 mil e os 100 mil dólares é aquele em que se inserem mais pessoas em Portugal, com cerca de 3,5 milhões, segundo o relatório do UBS, enquanto quase 2,7 milhões têm entre 100 mil e 1 milhão de dólares.
Apesar do crescimento registado em 2022, Portugal representa uma fração ínfima da riqueza privada global: 0,3%.
Fator positivo na análise do UBS relativa ao panorama nacional é o facto de os portugueses estarem menos endividados: 19.500 euros por cada adulto em 2022, quase menos 7% do que acontecia dez anos antes. Também o rácio da dívida face à riqueza caiu para cerca de 29,6% no ano passado, quando em 2012 esse valor representava mais de 60% em média para cada português, como relembra o jornal Eco.
Um retrato que deixa os portugueses bem posicionados no continente europeu, já que a riqueza mediana de cada europeu adulto se fica pelos cerca de 27 mil euros (menos de metade dos valores portugueses), e o rácio da dívida face aos rendimentos é bem mais elevado, situando-se em cerca de 87% no ano passado, segundo este Global Wealth Report.
Riqueza global tem primeira queda desde 2008
Pela primeira vez desde a grande crise financeira de 2008, a riqueza privada líquida mundial caiu em 2022, cerca de 2,4%, para 454,4 biliões de dólares (415,6 biliões de euros), assinala esta 14ª edição do relatório UBS/Credit Suisse.
A perda de riqueza global concentrou-se fortemente em regiões mais ricas, como a América do Norte e a Europa, que juntas perderam 10,9 biliões de dólares. A Ásia-Pacífico registou perdas 2,1 bilhões, enquanto a América Latina foi a exceção, com um aumento total de riqueza de 2,4 biliões.
No topo do ranking de perdas por países 2022 ficaram os Estados Unidos, seguidos por Japão, China, Canadá e Austrália, enquanto os maiores aumentos de riqueza foram registados na Rússia (apesar de uma economia em tempos de guerra), México, Índia e Brasil.
Em termos globais, diminuiu o número de milionários (menos 3,5 milhões, para 59,4 milhões), mas caiu também a desigualdade na distribuição de riqueza: ainda assim, os 1% de pessoas mais ricas do mundo detêm agora 44,5% do património global (em 2021 detinham 45%).
Aumento de 38% nos próximos cinco anos
Apesar deste travão em 2022, o relatório do UBS/Credit Suisse projeta otimismo para os próximos anos, estimando que a riqueza global aumente 38%, para 629 biliões de dólares, até 2027. O crescimento dos países de rendimento médio será o principal impulsionador das tendências globais, prevê o relatório, cujos autores estimam que a riqueza por adulto chegará a 110.270 dólares daqui a cinco anos, enquanto o número de milionários chegará a 86 milhões a nível global.
Publicado por : Diário de Notícias